segunda-feira, abril 02, 2007

Conversas de você com você mesmo - parte 1.

Às vezes é difícil ver as coisas sob uma perspectiva profunda. Eu estava estressado, realmente estressado, mas não percebia isso. Quanto mais me falavam, menos eu acreditava, mais eu pensava ser apenas implicância das pessoas. E isso foi me prejudicando aos poucos, mas em proporções inimagináveis. Comia tudo o que via pela frente para me acalmar, engordei muito, o que me obrigou a largar o que seria uma carreira de modelo. Fui prejudicado nos meus estudos, nas minhas relações. Foi quando eu vi que precisava me tratar, mudar algumas coisas, viver sem tantas preocupações e expectativas. E assim o fiz.

Eu sou bastante vulnerável. Detesto ser criticado, detesto que me chamem a atenção por eu estar fazendo alguma coisa que supostamente seria errado. Da mesma maneira, sou um tanto quanto inseguro. Qualquer crítica me deixa assim, qualquer mudança de comportamento em relação a mim me deixa assim. Fico achando que a culpa é minha, que o problema está comigo, sempre comigo.

Você tem que ir até lá para poder voltar. Já estive no fundo do poço, principalmente em relação à minha auto-estima e aos cuidados com o corpo. Já tive tendências bulímicas e nunca estive satisfeito com meu visual, nunca consegui olhar para o espelho e gostar do que estava vendo. Costumo falar que a minha auto-estima está mais para 'baixo-estima'. Nunca tive o costume de ser 'mais eu'. Mas quando isso começa a te prejudicar é quando você começa a ver que precisa mudar. E eu mudei. Não digo que consegui ainda, mas estou tentando.

Eu sempre tive fé. Nunca acreditei muito em relacionamentos, nunca imaginei que eles pudessem durar e serem realmente verdadeiros. Não era muito crente no amor, mas sempre tive fé que um dia encontraria alguém para realmente poder chamar de 'meu amor'. E não é que eu encontrei? Hoje vejo como é importante ter alguém que você possa se apoiar, chamar de seu porto seguro. E eu tenho.

Eu não conto muitas histórias. Fico nos fundos. Eu sou um extrovertido fracassado.

8 comentários:

Jeremy disse...

Eu sou bme assim como você falou, mal me olhava no espelho. Ainda me olho pouco, mas já tenho esse hábito vez ou outra.
Eu sempre quis ter um porto seguro e tive. Achei que seria me ilha de tranquilidade e sossego até que a ilha afundou e meu porto foi junto. É bom ter um porto seguro, mas acho que sempre tentandop lembrar que portos ficam à beira mar, podendo ou não serem engolidos pela água, por isso tem que se ter um bote salva vidas pronto para flutuar e esse bote, deve estar no coração. Eu não tive o meu e só agora estão resgatando meus restos que jaziam no fundo do mar, onde outrora foi o mais lindo porto que já vi. Espero que consigam reconstituí-lo.

Fê disse...

ok. como você disse. pra aumentar o numerozinho.
hauhauhauhauhauhauhua
mas dispensa maiores comentários.
sempre ótimos, sempre. =]
te amo demaaaais!
;*

carolinecampos disse...

Bê, lembro-me bem de um dia que eu falei pros meus pais que eu não concordava com a música do Vinícius, que diz que a tristeza não tem fim, felicidade,sim. Doce ilusão... O tempo vai passando, e quanto mais ele passa, mais somos obrigados a andar com as nossa próprias pernas e enfrentar tudo aquilo que fomos poupados anteriormente, pois não era "coisa de criança". Com isso, damos de cara com um mundo não tão cor-de-rosa assim quanto achávamos... Quanto mais eu me distanciava da minha meninice, mais vezes eu pude me sentir assim, exatamente como vc descreveu. O mais engraçado é que quem vê de fora nem imagina o conflito que está se passando por trás de uma carinha boa e um jeitinho extrovertido. Já cheguei a me perguntar diversas vezes se o problema era comigo mesma, se eu tinha a obrigação de ser 100% feliz, mais "light" e menos preocupada com a aceitação das minhas verdades. Mas hj eu penso que não e não somos os únicos a sentir isso... Talvez estamos entre os únicos capazes de assumir, ou de enxergar que aquele incômodozinho que os outros chama de "stress" tem muito mais a ver com o conflito criado por nós mesmos em relação àquilo que pensamos e com o que somos realmente. Acho que o melhor remédio que tenho encontrado pra mim mesma e que tem me feito muito bem é não deixar de querer me conhecer, me aceitar, me lapidar dentro das minhas possibilidades. Aceitar que tenho limitações e que nunca poderei ser aquilo que esperam de mim. Nem eu e nem ninguém! Não sou tão forte quanto pensam que eu sou e como me cobram ser. Mas quem é??? Preciso dos outros sim, assim como eles tb precisam de mim - gra-ças-a-de-us! E te digo uma coisa, Bê. Hj tenho convicção de que quero perto de mim não mocinhos de novela mas, simplesmente, seres humanos, como eu. Hj, as pessoas que eu mais tenho orgulho não são aquelas perfeitinhas, que fazem questão de fugir dos problemas pra fingir pra si mesmo e pros outros de que está tudo muito bem. Não... Tenho orgulho de quem não tem medo do que vai ver e tem coragem de se despir pra si mesmo. E assumir que, como vc mesmo disse, somos apenas a nossa melhor e pior comapanhia.
Beijos,
Cacá

tiozinho disse...

Oi menino!
te linkei la no blog.
Boa semana,
abs.

Kaka disse...

Olá amigo!

Cara... como eu admiro a sua capacidade de escrever! E me identifico muito com tudo o que escreves!

Abraço!

FOXX disse...

ai eu sou assim
vc descreveu toda minha vida
com excessão
de q ainda naum encontrei este amor
e naum deixei de acreditar
que o amor foi feito pra acabar
pelo menos pra mim...

Divorciado disse...

Olá Bernardo, tudo bem com vc ?
Me desculpe o sumiço viu...
Tô passando pra desejar um ótimo feriado de Páscoa pra vc.
Quanto ao texto, tente não encanar. Todos nós não gostamos muito de palpites em nossas vidas. Mas os relacionamentos são um grande aprendizado. E temos q começar aprendendo a sermos humildes, jamais inferiores.
Um beijão.

Isaac disse...

"...Não era muito crente no amor, mas sempre tive fé que um dia encontraria alguém para realmente poder chamar de 'meu amor'. E não é que eu encontrei? Hoje vejo como é importante ter alguém que você possa se apoiar, chamar de seu porto seguro. E eu tenho..."

A vida é um eterno paradoxo... doce, mas enigmática...