sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Apresento-lhes, o menininho bobinho que...

...está sentado. Isso não é nada poético, péssimo início para o que era pra ser um poema. Mas na verdade é poético, quando na verdade, o menininho bobinho é você. Na verdade, eu. Eu sou o menino bobinho. Aquele bonitinho, sempre elogiado por todos, aquele bom filho, bom aluno, aquele que você sempre acha que está bem. Mas não está. Ele não está bem, tem vontade de cortar os pulsos. Mas não tem coragem de fazê-lo e por causa desse fato começa a escrever textos que ele achar uma merda para (tentar) aliviar sua dor. E ele consegue ? Não sei. Talvez saiba. Não consegue. Na maioria das vezes. Solidão. Ele é solitário. Não tem amigos. Amigos não tem. E continua escrevendo coisas sem nexo. Daqui a pouco ele começa a escreve sobre o beija-flor que está na janela. Não está mais. Talvez nunca esteve. O beija-flor ou o menino bobinho ? Sei lá. Ambos. Melhor ainda, apenas o menininho. Nunca esteve feliz. Mentira, ele nunca foi feliz. Esteve feliz uma vez sim, apenas uma, dentro de um cinema numa Quinta-feira a tarde em julho de dois mil e quatro. Depois disso, vem buscando a felicidade constante, sempre acreditando em palavras dóceis. Inocente. Ele é. Sempre foi. Sempre será. Como hoje aconteceu. Acreditava em alguém. Em quem ? Alguém. Que há muito tempo o menininho não encontrava igual. Pelo menos ele pensava isso. Inocente. De novo. Como Alice. Mas não há nenhum país das maravilhas. Como Chapeuzinho Vermelho. Mas há o lobo, que sempre o persegue. Que nem o monstro debaixo da cama. E o escuro. Sempre perseguindo o menininho. Que ainda não terminou de escrever o texto bobo. E não quer terminar. Ele quer escrever. Não sabe o que, mas sabe que quer escrever. Tentar preencher o vazio. Não sabe se o de dentro ou o de fora, mas ele quer preencher, pois o vazio o incomoda. Mas ele acabou de acostumando com isso, afinal, a vida do menino se resume a isso. Um vazio. Anos vazios. Dezenove anos, dois meses e doze dias, pra ser mais exato. Alguém para preencher ? Não. Afinal, o copo sempre esteve mais vazio do que cheio, por que agora seria diferente ? Perguntas sem respostas. O menininho é especialista nelas. Pensa no seu amigo, futuro jornalista de São Paulo. Será que ele vai gostar do texto ? Não sabe. Queria ele por perto. Ele é um amigo. Queria outras pessoas por perto. Amigos. Como aquele menininho bobinho, inocente, mimado, infantil, etc., nunca teve. Já pensou Ter, mas nunca teve. Pensou que tinha, da mesma maneira que pensa em terminar esse texto antes que alguma lágrima caia. Covarde. Ele não quer continuar o texto. Covarde. Sim, ele é. Entre outras coisas mais.

4 comentários:

*pim ® disse...

não se admire se um dia um beija-flor invadir a porta da sua casa, lhe der um beijo e partir.

fui eu que mandei o beijo.

mariana disse...

no time to hesitate ;)
ser bobo às vezes é bom, sabe? a clarice lispector escreveu um texto ótimo sobre isso, depois te passo se você quiser.
e espero que esses novos tempos te tragam tempos mais calmos... e covarde todo mundo é, no fundo. não é motivo para desespero.
uau, como eu fico profunda às quase quatro da manhã.
e sim, o filme é lindo demais.
beijoinks, amor
te amo

ps: putinha cabeçuda!!!

natynha disse...

nem sabia q vc se sentia vazio o tempo td meu amor! poxa...vamos preencher isso aiiii!! pelo menos qdo eu puder preencher vc com lembranças e momentos bons eu irei...
amo-te

Renata [llunattica] disse...

esse texto ainda representa alguma verdade? porque apesar de vivermos em constante pressão o tempo todo, crianças, jovens, adultos e velhos... nós temos que seguir em frente, considerando que a via é de mão única. Ainda lembro que o Elimar --prof de história-- comentou algo sobre a vida ser um rolo compressor, ela não pára, não dá tempo suficiente para que nós nos recuperemos... A vida não espera, o que não significa que ela seja totalmente injusta. É verdadeiro o ditado que diz "quando a vida fechar uma porta, ela abre uma janela" --ou algo parecido, minha memória pra essas coisas nunca funcionou muito bem... Mas o que eu quero mesmo dizer é que, por mais distante que as pessoas estejam, por mais fatais que tenham sido alguns acontecimentos... A gente percebe que alguns amigos estão SEMPRE ali quando precisamos.

Mesmo numa eventual separação, eles sempre estão ali. Fala pro menininho bobo, que a covardia, o medo, a insegurança são os 'defeitos' que nos faz sermos mais fortes a cada dia que passa. Aliás, não são bem defeitos... São defesas, é um tipo de intuição nossa que está em alerta.

Avisa também que a solidão não tem nada de ruim, até porque é interessante aprender a lidar com nós mesmos, a solidão nos permite conhecermos quem nós somos, o que nós queremos, quais nossos objetivos. A que viemos! Não tenha medo de ser sozinho, "antes só, que mal acompanhado", principalmente porque solidão não é um mal! Mas um bem, por trazer auto-conhecimento!

Agora, CHEGA QUE EU JA FALEI DEMAIS!!!

Ufa!...
Bijo´s, tiamo
Se cuidaaaaaaaaaaa